Periograma: o que é, para que serve e quando o dentista deve pedir?

Caio CarinhenaAtualizado em
Tempo de leitura: 10 minutos.Atendimento ao Paciente
Ilustração de um dentista mostrando o periograma no sistema Clinicorp para paciente durante consulta odontológica

Síntese do artigo

Periograma é o registro estruturado do exame periodontal completo, feito dente a dente, com no mínimo seis pontos de sondagem por elemento.

Segundo o Global Burden of Disease Study 2021, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem hoje com periodontite grave. 

Continue a leitura para entender melhor.

Nem sempre o olho clínico é suficiente para saber o quanto o periodonto está comprometido, por isso existe o periograma. Ele reúne profundidade de sondagem, sangramento à sondagem, recessão gengival, mobilidade dentária e envolvimento de furca — os dados que, juntos, definem o diagnóstico periodontal e sustentam a decisão de conduta.

Ele serve para transformar uma boca que “parece bem” ou “parece com gengivite” em números comparáveis ao longo do tempo. Sem ele, o dentista enxerga sinais isolados. Com ele, enxerga-se um padrão de perda de inserção — que é o que realmente diferencia gengivite de periodontite, e periodontite estável de periodontite em atividade.

Neste blog, você vai entender o que cada índice do periograma registra, como diferenciá-lo do odontograma, para que ele serve no diagnóstico periodontal, quando pedir o exame completo e como manter esse histórico documentado de forma que sustente sua conduta clínica.

Boa leitura!

Leia também: Periodontia: tudo o que você precisa saber para oferecer esse tratamento na sua clínica.

O que o periograma registra, índice por índice?

Cada linha do periograma corresponde a um parâmetro clínico com significado próprio. Interpretar mal um índice isolado é o erro mais comum de quem lê esse documento por cima, sem entender o que cada número representa.

Índice O que mede Valores de referência
Profundidade de sondagem (PS) Distância da margem gengival ao fundo do sulco ou bolsa, em 6 pontos por dente (3 vestibulares, 3 linguais/palatinos). Saudável: até 3 mm;Bolsa: 4 a 5 mm;Bolsa profunda: acima de 6 mm.
Nível de inserção clínica (NIC) Distância da junção cemento-esmalte ao fundo do sulco ou bolsa (soma ou subtrai a recessão da PS). Único índice que mede perda real de suporte periodontal ao longo do tempo.
Sangramento à sondagem (BOP) Sangramento ao toque delicado da sonda no fundo do sulco. Saudável: menos de 10% dos sítios;Acima disso: gengivite ou periodontite em atividade.
Recessão gengival Distância entre a junção cemento-esmalte e a margem gengival, quando a raiz está exposta. Isolada: pode ter origem traumática;Associada a PS aumentada e BOP positivo: aponta perda de inserção por doença.
Mobilidade dentária Grau de deslocamento horizontal/vertical do dente. Grau 0: até 0,2 mm (fisiológica);Grau 1: até 1 mm;Grau 2: acima de 1 mm; Grau 3: horizontal + vertical (perda óssea avançada).
Envolvimento de furca Extensão da perda óssea entre raízes, medida com sonda Nabers (molares e alguns pré-molares). Grau I: até 3 mm;Grau II: acima de 3 mm, sem transfixar;Grau III: furca transfixada.

Porque o NIC importa mais do que a PS isolada: dois pacientes podem ter a mesma PS de 4 mm e níveis de doença completamente diferentes — um com gengiva edemaciada e sem perda óssea, outro com recessão de 3 mm e perda de inserção real.

Só o NIC separa esses dois cenários, comparando duas consultas para mostrar se o tratamento está funcionando.

Porque o BOP é o índice mais sensível para monitorar tratamento: ele muda antes da PS — um paciente pode reduzir sangramento em semanas, enquanto a bolsa leva meses para retrair.

Atenção aos diagnósticos diferenciais:

  • Mobilidade não é diagnóstico isolado de periodontite — trauma oclusal, reabsorção radicular e lesão endodôntica também mobilizam dente;
  • Mobilidade grau 2 ou 3, combinada com PS aumentada e perda óssea radiográfica confirmada, é sinal de prognóstico reservado e muda o plano de tratamento;
  • Furca grau II ou III reduz significativamente o prognóstico do dente e pesa na decisão entre manter, tratar cirurgicamente ou extrair.

Leia também: Tratamentos odontológicos: conheça os mais procurados e as tendências de 2026.

Periograma não é odontograma, e confundir os dois custa precisão no diagnóstico!

Apesar do nome parecido e do mesmo lugar no prontuário, periograma e odontograma medem coisas completamente diferentes:

  • Odontograma: mapeia dente a dente o que já foi feito ou o que precisa ser feito — restauração, cárie, ausência dentária, prótese. Registra história odontológica;
  • Periograma: mede o estado do periodonto ao redor de cada dente — bolsa, sangramento, recessão, mobilidade, furca. Registra saúde periodontal.

Na prática, os dois se complementam e nenhum substitui o outro. Um paciente pode ter odontograma limpo, sem uma cárie sequer, e periograma com bolsas de 6 mm em múltiplos sítios.

Afinal, tratar o periodonto olhando só o odontograma é olhar para o dente e ignorar o que sustenta o dente.

Leia também: Odontograma completo: entenda a importância dessa ferramenta para documentação de tratamentos.

Para que serve o periograma no diagnóstico periodontal?

O periograma não existe para confirmar o que o olho já viu. Ele existe para revelar o que o olho não vê:

  • Bolsa em face lingual de molar;
  • Perda de inserção sem sangramento visível;
  • Mobilidade discreta que ainda não incomoda o paciente.

É o exame que transforma impressão clínica em diagnóstico com critério objetivo.

Ele também sustenta a classificação da doença periodontal segundo os parâmetros vigentes desde 2018, quando a Academia Americana e a Federação Europeia de Periodontologia substituíram os antigos rótulos de periodontite crônica e agressiva por um sistema de estadiamento e graduação:

  • Estágio (I a IV): reflete a gravidade da perda de inserção, a perda óssea radiográfica e a complexidade do tratamento necessário;
  • Grau (A, B ou C): reflete a velocidade de progressão da doença e fatores de risco como tabagismo e diabetes.

Nenhum dos dois se define sem os dados do registro periodontal. Na prática, isso significa que dois pacientes com bolsas parecidas podem receber planos de tratamento completamente diferentes — por causa da idade, do fator de risco associado ou da taxa de progressão registrada entre um documento e o seguinte. Sem o histórico documentado, essa comparação não existe.

Quando o dentista deve pedir o periograma completo?

Nem todo paciente precisa de um periograma completo em toda consulta de rotina. O caminho mais eficiente é aplicar antes uma triagem rápida.

O Registro Periodontal Simplificado (PSR), que divide a boca em seis sextantes e atribui um código de 0 a 4 por sextante, com base na profundidade de sondagem e em sinais de sangramento, cálculo ou margem defeituosa.

Código PSR O que indica Conduta
0 ou 1 Periodonto saudável ou gengivite leve. Sem necessidade imediata de periograma completo.
2 Fatores retentivos de placa. Atenção redobrada nas próximas consultas.
3 ou 4 Sinal de doença ativa. Gatilho direto para exame periodontal completo com radiografia.

Independentemente do resultado da triagem, alguns sinais justificam exame periodontal completo direto, sem passar pelo PSR:

  • Sangramento gengival espontâneo ou ao escovar, relatado pelo paciente;
  • Mobilidade dentária perceptível;
  • Recessão progressiva;
  • Halitose persistente sem causa aparente;
  • Perda óssea visível em radiografia de rotina;
  • Histórico de periodontite já tratada, que exige reavaliação periódica;
  • Fatores de risco sistêmicos relevantes, como diabetes não controlada ou tabagismo.

Nesses casos, pedir apenas a triagem simplificada é subdimensionar o exame. O paciente já apresenta sinal clínico que pede o dado completo, dente a dente, e pular essa etapa é a forma mais comum de subestimar a extensão real da doença.

Leia também: Odontologia Estética: por que cada vez mais pacientes estão investindo na estética bucal?

Periograma é exame de rotina obrigatório para todo paciente?

Não da mesma forma para todos. Todo paciente adulto deveria ter ao menos uma avaliação periodontal completa registrada como linha de base.

A partir daí, a frequência de repetição varia com o risco individual:

  • Pacientes saudáveis, sem fatores de risco: reavaliação anual, com apoio de triagem simplificada nas consultas intermediárias;
  • Pacientes com periodontite tratada: entram em terapia de suporte, com reavaliação a cada três a seis meses — intervalo definido pelo risco de progressão, não por rotina fixa igual para todos.

Diagnóstico sem repetição não mede evolução. O valor real desse documento aparece na comparação entre duas datas — é isso que mostra se a raspagem funcionou, se a bolsa reduziu, se o sangramento cedeu ou se a doença continua avançando apesar do tratamento.

Isso muda o critério de decisão clínica do dia a dia: antes de indicar raspagem e alisamento radicular, cirurgia periodontal ou apenas reforço de higiene, o periograma atual precisa ser comparado ao anterior — não a uma lembrança do que a boca parecia estar na última consulta.

Leia também: Escova interdental: quando indicar, vantagens e mais!

Do critério clínico ao registro: por que o periograma precisa ficar documentado?

Pedir o exame periodontal completo no momento certo é decisão clínica. Guardá-lo de um jeito que sobrevive ao tempo é decisão de gestão — e é aqui que boa parte das clínicas perde a comparação que dá valor ao exame.

Periograma solto em ficha impressa ou planilha paralela dificulta comparar hoje com seis meses atrás, e é justamente essa comparação que sustenta a decisão de manter, intensificar ou encerrar o tratamento periodontal.

O Clinicorp resolve isso com a Ficha de Periodontia dentro do Prontuário Eletrônico do paciente:

  • É preenchido num fluxo único, dente a dente;
  • Cada nova avaliação fica registrada ao lado da anterior, pronta para comparação direta;
  • Não depende de papel arquivado ou memória do profissional sobre o caso.

Dessa forma, o registro periodontal sai do papel avulso e entra onde ele precisa estar: acessível, comparável e parte da rotina da clínica, não um documento que se perde entre uma consulta e outra.

Conclusão

Um dentista que sonda só quando desconfia de periodontite já está atrasado no diagnóstico — porque, nesse ponto, a doença normalmente já avançou o suficiente para dar sinal visível.

Incorporar o periograma como parte do protocolo padrão de acompanhamento periodontal da clínica, não como exceção para caso suspeito, é o que separa a prevenção real do tratamento tardio.

Ou seja, o periograma não é uma burocracia a mais no prontuário, é o que transforma cuidado periodontal em critério clínico documentado, comparável e replicável em toda a equipe, consulta após consulta.

O que aprendemos neste artigo?

Esta seção reúne as principais dúvidas sobre o periograma para ajudar a esclarecer os pontos mais importantes sobre o assunto.

Perguntas frequentes

O que é periograma e quais dados ele registra?

É o registro estruturado do exame periodontal completo, feito dente a dente, com no mínimo seis pontos de sondagem por elemento. Registra profundidade de sondagem, nível de inserção clínica, sangramento à sondagem, recessão gengival, mobilidade dentária e envolvimento de furca.

Qual a diferença entre periograma e odontograma?

O odontograma mapeia a história odontológica do dente — restaurações, cáries, ausências, próteses. O registro periodontal mede a saúde periodontal ao redor de cada dente — bolsa, sangramento, recessão, mobilidade e furca. Os dois entram no mesmo prontuário, mas nenhum substitui o outro.

Quando o dentista deve pedir o periograma completo?

Pelo menos uma vez para todo paciente adulto, como linha de base. Depois, sempre que houver sangramento persistente, bolsa acima de 3 mm, mobilidade, histórico de periodontite ou fatores de risco como fumo e diabetes descompensado — ou quando a triagem PSR indicar código 3 ou 4.

Como o Clinicorp ajuda a registrar e comparar o periograma entre consultas?

Pela Ficha de Periodontia dentro do Prontuário Eletrônico, o registro periodontal é preenchido num fluxo único, dente a dente, e cada nova avaliação fica registrada ao lado da anterior — pronta para comparação direta, sem depender de papel ou memória do profissional.

O Clinicorp é o software odontológico feito por um dentista, para outros dentistas. Hoje já são mais de 30 mil clínicas atendidas, de todos os portes e especialidades, do consultório individual às redes com múltiplas unidades.

Veja como o Clinicorp organiza o periograma dentro da Ficha de Periodontia, com histórico comparável entre consultas! Preencha o formulário abaixo e fale com um especialista.

Solicite o contato de um especialista da Clinicorp