O que fazer em casos de afta? Prescrições, remédios e diagnósticos na odontologia!

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Síntese do artigo
Afta é uma pequena úlcera dolorosa que aparece na mucosa da boca e que, na grande maioria dos casos, cicatriza sozinha em até dez dias, sem necessidade de tratamento complexo. É uma das condições mais comuns da cavidade oral, afetando entre 20% e 25% da população, segundo o Portal WeMEDS.
Na maioria das vezes, a afta é benigna e se resolve com cuidados simples de alívio da dor e da cicatrização. O que exige atenção do dentista é reconhecer quando aquela lesão deixa de se comportar como uma lesão comum (por tamanho, duração ou recorrência) e passa a exigir investigação mais cuidadosa, como reforça pesquisa sobre “Estomatite aftosa recorrente”.
Continue a leitura e entenda melhor!
Já aconteceu de um paciente chegar reclamando de uma “ferida” na boca que dói para comer, para falar, às vezes até para escovar os dentes? O diagnóstico, na maioria das vezes, sai rápido: afta. Faz sentido ser tão comum, já que a estomatite aftosa recorrente é considerada a afecção mais comum da mucosa oral.
É justamente essa familiaridade do quadro, tão recorrente que aparece todos os meses no número de pacientes atendidos pela clínica, que abre espaço para o erro mais frequente na prática: tratar toda afta do mesmo jeito, sem parar para checar se aquele caso específico pede algo diferente.
O problema é o que vem depois, porque tratar toda lesão do mesmo jeito, com a mesma pomada e a mesma orientação genérica, é o erro mais comum na prática.
A maior parte dos casos é simples e se resolve com conduta local. Mas existe uma minoria de aftas que não é “só mais uma lesão”, que dura mais do que deveria, dói de menos (ou de mais) do que o esperado, ou vem acompanhada de outros sintomas que apontam para algo além da mucosa oral.
Saber diferenciar afta de herpes, afta comum de lesão que pede investigação, e conduta tópica de conduta sistêmica é o que separa o “passar uma pomada” do diagnóstico feito com critério.
Boa leitura!
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Afta: o que é e como identificar na prática clínica?
A afta aparece como uma úlcera dolorosa e autolimitada na mucosa não queratinizada da boca: lábio por dentro, bochecha, língua, assoalho bucal. Na maioria das vezes, cicatriza sozinha em até dez dias.
O diagnóstico costuma ser direto na cadeira: lesão redonda ou oval, borda avermelhada bem definida, centro com aquela pseudomembrana amarelo-acinzentada e uma dor que sempre parece grande demais para o tamanho da lesão.
Na primeira linha de conduta, o tratamento é local. Bochecho antisséptico entra para reduzir o risco de infecção secundária, anestésico tópico cuida da dor nas refeições, e o corticoide tópico é quem realmente puxa o tempo de cicatrização para baixo.
Corticoide sistêmico e uma investigação mais aprofundada só entram numa minoria de casos, mas é justamente essa minoria que o dentista precisa aprender a reconhecer. É ali que “só passar uma pomada” deixa de ser conduta segura.
O erro mais comum, aliás, raramente é uma prescrição errada. É tratar toda lesão como se fosse sempre a mesma história, sem parar para diferenciar afta de herpes, afta simples de uma lesão que sinaliza algo maior, ou afta comum de uma úlcera que já pede biópsia.
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Afta, herpes ou outra coisa? O diagnóstico diferencial que muda a conduta
A primeira pergunta que resolve boa parte da dúvida na cadeira é: essa lesão está numa mucosa não queratinizada, o que aponta para afta, ou numa mucosa queratinizada, como gengiva aderida e palato duro, o que já direciona para herpes?
A lesão simples nunca passa por fase de vesícula. Ela já aparece como úlcera, sem pródromo sistêmico relevante, e se distribui em três apresentações diferentes conforme a frequência com que ocorrem:
- Menor (cerca de 85% dos casos): até 8 mm, localizada em assoalho bucal, borda lateral ou ventral da língua, mucosa jugal ou faringe. Cicatriza em até 10 dias, sem deixar marca;
- Maior (cerca de 10% dos casos): acima de 1 cm, mais profunda, em lábio, palato mole ou orofaringe. Cicatrização leva semanas, pode deixar cicatriz, e o quadro costuma vir com dor mais intensa e, às vezes, febre e dificuldade para engolir;
- Herpetiforme (cerca de 5% dos casos): múltiplas lesões pequenas, agrupadas, que coalescem em úlceras maiores. Mais comum em mulheres e com início mais tardio que os outros dois tipos.
A herpes simples, por outro lado, sempre envolve mucosa queratinizada, pois a gengiva aderida está praticamente sempre comprometida, e passa por fase de vesícula antes de ulcerar, com pródromo de formigamento ou ardência horas antes da lesão aparecer.
A primoinfecção herpética, mais comum em crianças, costuma vir com quadro sistêmico: febre, mal-estar, gengiva inteira edemaciada e dolorida, múltiplas vesículas que rompem formando úlceras rasas espalhadas pela boca.
Já o herpes labial recorrente, mais comum em adultos, restringe-se à borda do lábio e à pele adjacente, não à mucosa interna.
Uma terceira possibilidade a descartar rápido é a úlcera traumática: borda irregular, associada a uma causa evidente (mordida, aparelho, prótese mal ajustada, escovação agressiva) e que resolve assim que a causa é removida.
Se a lesão não cicatriza depois de eliminada a causa aparente, ela para de ser “provavelmente trauma” e volta a entrar na lista de diagnóstico diferencial.
Para visualizar esses critérios lado a lado, veja o comparativo direto entre as três possibilidades:
| Critério | Afta | Herpes simples | Úlcera traumática |
| Tipo de mucosa | Não queratinizada (lábio interno, bochecha, língua, assoalho bucal) | Queratinizada (gengiva aderida, palato duro) | Qualquer mucosa associada à causa mecânica |
| Fase de vesícula | Não, surge direto como úlcera | Sim, vesícula rompe e forma a úlcera | Não |
| Pródromo | Ausente | Formigamento ou ardência horas antes | Ausente |
| Sintoma sistêmico | Raro | Comum na primoinfecção (febre, mal-estar) | Ausente |
| Causa aparente | Não identificável | Infecção viral | Mordida, aparelho, prótese mal ajustada, escovação agressiva |
| Resolução | Sozinha, em até 10 dias (afta menor) | Em 1-2 semanas, com ou sem tratamento | Assim que a causa é removida |
| Sinal de alerta | Não cicatriza em 10-14 dias | Quadro sistêmico grave ou recorrência frequente | Não cicatriza após remover a causa |
Com esses pontos em mãos, boa parte da dúvida na cadeira já se resolve antes mesmo de tocar na lesão.
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Conduta e prescrição: como tratar a afta localmente e quando considerar tratamento sistêmico?
Na grande maioria dos casos, uma lesão menor, isolada e sem sinal de alerta, o tratamento fica restrito ao local e reúne três componentes que trabalham juntos, não em concorrência.
O bochecho com clorexidina 0,12%, usado duas vezes ao dia, reduz a colonização bacteriana secundária na lesão. Ele não trata a causa da afta, mas evita que uma úlcera simples abra caminho para uma infecção local.
O anestésico tópico, geralmente um gel de lidocaína aplicado antes das refeições, controla a dor justamente no momento em que ela mais incomoda o paciente, sem interferir na cicatrização.
Já o corticoide tópico é quem realmente muda o curso da lesão. Aplicado em orabase, sendo a triancinolona a apresentação mais comum, direto sobre a úlcera e várias vezes ao dia, ele reduz a dor e encurta o tempo de cicatrização, com uma resposta tanto melhor quanto mais cedo começa.
Para pacientes com múltiplas lesões ao mesmo tempo, ou com uma úlcera em local de difícil acesso, como o palato, o elixir de dexametasona em bochecho contorna essa limitação do orabase.
O corticoide sistêmico, geralmente prednisona oral em curso curto, entra num terreno diferente, assim como colchicina ou imunossupressores.
Essas opções ficam reservadas para afta maior, recorrente, muito dolorosa ou que não responde ao tratamento tópico bem conduzido. Nesse ponto, o caso sai da rotina do consultório geral e pede encaminhamento a um especialista em estomatologia ou medicina bucal, que vai investigar antes de escalar a medicação.
Por fim, vale reforçar o que não fazer: antibiótico sistêmico de rotina não tem indicação aqui, já que afta não é infecção bacteriana, e prescrever dessa forma só atrasa o diagnóstico correto quando o quadro não evolui. A cauterização química, por sua vez, segue reservada para casos muito específicos e não entra no manejo padrão.
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Sinais de alerta que tiram a afta da rotina
A maioria das aftas não pede mais do que a conduta descrita acima. O que muda o jogo é perceber, na hora, quando a lesão deixou de se comportar como uma afta comum.
O primeiro sinal é o tempo. Uma lesão que não começa a melhorar em uma semana, ou que não cicatriza em até 14 dias, sai da rotina e entra em avaliação mais profunda.
O segundo, curiosamente, é a dor, ou melhor, a ausência dela. A lesão costuma doer de forma desproporcional ao seu tamanho, então uma lesão grande, com borda endurecida e elevada, que sangra fácil ao toque e dói pouco ou quase nada, é o padrão clássico de alerta para biópsia, não para mais uma semana de orabase.
A recorrência também muda a leitura do caso. Episódios frequentes, sejam vários por ano ou lesões que praticamente nunca desaparecem, associados a sintomas digestivos como diarreia, dor abdominal ou emagrecimento sem explicação, levantam suspeita de doença celíaca ou doença inflamatória intestinal.
Já a combinação de afta recorrente com lesões genitais e oculares aponta para doença de Behçet. E uma afta atípica, maior ou mais persistente que o esperado, em um paciente imunossuprimido ou com HIV, também sai do manejo padrão.
Isolado, nenhum desses sinais fecha diagnóstico. Mas todos apontam para a mesma mudança de conduta: sair do “orienta e reavalia” e entrar no “encaminha para investigação”.
Nem toda afta recorrente precisa de exame de sangue. Um ou dois episódios isolados por ano, sem outros sintomas, não justificam investigação laboratorial. Ela entra em cena quando a recorrência é frequente, os episódios são incomumente grandes ou dolorosos, ou há algum sintoma sistêmico associado.
Ela também não é contagiosa. Diferente do herpes, que é viral e se transmite por contato, ela não tem origem infecciosa transmissível, o que ajuda inclusive a tranquilizar o paciente que chega preocupado por achar que “pegou” a lesão de alguém.
O que orientar o paciente na prática?
Depois de descartar sinal de alerta e definir a prescrição, três orientações simples reduzem desconforto e recorrência:
- Evitar alimentos ácidos, muito quentes ou abrasivos enquanto a lesão está ativa. Cítricos, temperos fortes e alimentos crocantes pioram a dor, sem alterar o curso da cicatrização;
- Testar a troca do creme dental por uma versão sem lauril sulfato de sódio, no caso de episódios frequentes. A evidência não é definitiva, mas é uma orientação de baixo custo e baixo risco que parte dos pacientes relata como útil;
- Informar o prazo esperado de melhora, para que o paciente saiba, por conta própria, quando aquela lesão parou de ser rotina e virou motivo de voltar à clínica antes da próxima consulta agendada.
Orientar bem esses três pontos já resolve a maior parte dos casos, mas o que sustenta esse cuidado no dia a dia da clínica é outra questão: como registrar, acompanhar e não deixar esse retorno depender só da memória do paciente.
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Conclusão
A maior parte das aftas resolve sozinha, e é justamente por isso que fica fácil tratar esse quadro como trivial demais para merecer atenção. O problema é que essa mesma trivialidade aparente é o que deixa um sinal de alerta passar despercebido, porque no começo parece só mais uma afta, até deixar de ser.
Diagnosticar certo é diferenciar essa inflamação de herpes e de úlcera traumática antes de prescrever qualquer coisa. Tratar certo é saber reconhecer quando o tópico resolve e quando o caso pede mais investigação. E orientar com segurança é dar ao paciente o critério para perceber, sozinho, quando aquela ferida na boca deixou de ser normal.
É esse olhar atento a cada detalhe, o tamanho, a dor, o tempo de cicatrização, que separa o dentista que só passa uma pomada daquele que realmente cuida do caso.
O que aprendemos neste artigo?
Reunimos aqui as principais dúvidas sobre afta, desde como diferenciar de outras lesões, a quando o tratamento tópico é suficiente e quais sinais pedem mais atenção do dentista.
Perguntas frequentes
Como diferenciar afta de herpes e de úlcera traumática na avaliação clínica?
O primeiro critério é o tipo de mucosa: se aparece em mucosa não queratinizada, enquanto herpes envolve mucosa queratinizada e passa por fase de vesícula antes de ulcerar. Já a úlcera traumática tem borda irregular e uma causa evidente, como mordida ou aparelho, resolvendo assim que essa causa é removida.
Qual é o tratamento indicado para afta na maioria dos casos?
Para caso menor, isolado e sem sinal de alerta, o tratamento é local: bochecho antisséptico, anestésico tópico para a dor e corticoide tópico, que é o que de fato encurta o tempo de cicatrização. Corticóide sistêmico fica reservado para casos mais raros.
Quais sinais indicam que uma afta precisa de investigação mais aprofundada?
Lesão que não cicatriza em até 14 dias, dor desproporcional ao tamanho (pouca ou nenhuma), recorrência frequente associada a sintomas digestivos, ou atípica em paciente imunossuprimido. Qualquer um desses sinais tira o caso da rotina.
Afta é contagiosa e exige exame de sangue em toda recorrência?
Não em nenhum dos dois casos. Ela não tem origem infecciosa transmissível, diferente do herpes. E exame de sangue só entra quando a recorrência é frequente, os episódios são incomuns em tamanho ou dor, ou há sintoma sistêmico junto.
Diagnosticar afta com segurança vai além de prescrever um corticoide: é saber reconhecer, registrar e acompanhar cada caso até a reavaliação.
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